Uma investigação que atravessa séculos
Duas linhas que se respondem: uma oficina de organeiros em Braga, na segunda metade do século XVIII, e o restauro do mesmo instrumento em 2025. O que numa é decisão, na outra é indício.
Guia de leitura · sem spoilers
Nada nesta página estraga o livro. Diz-se aqui o que a contracapa já diz, e mais nada.
Duas linhas que se respondem: uma oficina de organeiros em Braga, na segunda metade do século XVIII, e o restauro do mesmo instrumento em 2025. O que numa é decisão, na outra é indício.
Inês não investiga um estranho. Investiga a possibilidade de a sua própria família ter estado do lado errado da história — e essa é uma pergunta que qualquer leitor pode fazer ao seu sobrenome.
O livro não é sobre sangue. É sobre um som que toda a gente achou sublime durante duzentos e cinquenta anos. É aí que o gótico se instala: não no escuro, mas na admiração.
Não. O romance explica o que é preciso à medida que anda, como quem mostra uma oficina a uma visita. Quem perceber de órgãos encontra rigor a mais para gostar; quem não perceber nada nunca fica de fora.
Pedra fria, oficina com serradura, arquivos, chuva no Minho, cera e metal fundido. O ritmo é o de uma investigação: paciente ao princípio, e depois já não se larga. Quem gosta de Eco ou de Süskind reconhece a família — mas o livro fala menos do que Eco e mede mais do que Süskind.
Para depois da leitura. Não revelam mais do que a contracapa, mas rendem melhor com o livro acabado.